Conto de Sentimento – Por: Autor Desconhecido...



“Em tudo que existe nesse mundo, nesse universo, alguém começou sonhando”. São, os sonhos, persiga-os, sem trégua, pois até mesmo o inevitável fica provável quando alguém começa a sonhar, e aqui começa nossa história de hoje... Era Uma Vez, Jeff, um garoto de apenas 13 anos, apaixonado por desenhos animados e contos de fadas, muito longe do que a sociedade da ditadura empoe, ele não se dava conta, ele queria apenas sonhar, e seu maior sonho, era viver um conto de fadas, como aqueles da Disney, ele queria ser um príncipe e simplesmente achar sua princesa, para viver uma linda história de amor, e viverem felizes para sempre.
Jeff não tinha nenhum tipo de diversão, no auge dos anos **, o país em ditadura, o único divertimento de Jeff era estudar e assistir seus lindos desenhos animados. Uma rotina simples, da casa pra escola, e da escola pra casa, sem voltas, sem atalhos, um caminho livre e direto, já que morava na mesma Rua de sua escola. Em seu pequeno, mas acolhedor quarto,  na parede onde ficava sua cama, existia um desenho bem grande, feito por ele mesmo, de seu desenho animado favorito. Mickey Mouse. Um desenho perfeito, sem nenhum tipo de ranhura, sem nada de pichado ou borrado, nada. Toda vez que ele chegava da escola, ficava admirando seu desenho, uma perfeição implacável, que todos de sua família que passavam pelo seu quarto, tinham que parar para adorar aquele belo e gracioso desenho. Não parecia um desenho comum, era um desenho que deixava o dia alegre, a pessoa mais triste que passava por lá, com certeza, colocaria um sorriso no rosto apenas de olhar aquela obra de arte. Todos as noites, Jeff acordava de madrugada e olhava para ele, e ficava imaginando que dia ele iria encontrar a Minnie de sua vida, a princesa que o pequeno sonhador gostaria de ter. Diferente dos outros garotos, ele não gostava de namorar. Ele parecia esperar a hora certa para isso, assim no auge da ditadura, quem pensava em esperar uma namorada? Sonho de qualquer adolescente, de todas as épocas, era achar uma pessoa bonita para namorar. Mas com Jeff era ao contrário, ele queria uma menina atenciosa como a Branca de Neve era com os 7 anões, mas também bonita como a Cinderela, e carinhosa como a Bela, que não ligou para a beleza de seu príncipe (Fera). Todas as meninas davam bola pra ele, mas ele rejeitava todas, sonhando com o dia que acharia a garota perfeita, como Mickey achou Minnie. O tempo foi passando, Jeff foi crescendo, e continuou com o mesmo pensamento, de que um dia acharia a princesa de seus sonhos, se inspirando no belo desenho que fez quando era pequeno. Sua família ficava perplexa ao saber disso, naquele tempo, achar uma namorada para se casar bem cedo era quase uma regra do lar. Mas nem todos de sua família conseguiram o fazer parar de pensar em achar sua princesa. Não era fácil, o tipo de garota que ele descreveu, era quase uma garota perfeição, que nem mesmo os Srs. Reais lidavam daquele jeito. Uma pratica impossibilidade, improbabilidade de conseguir realizar seu sonho, até que certo dia, Jeff estava prestes a se formar, já estava pronto para começar a trabalhar com seu pai, quando meses antes do fim do ano, ele conhece Eliane, 16 anos, uma garota muito, extremamente tímida, e muito caseira também, seu pai, levava e a buscava todos os dias na escola, a menina parecia ter muito menos idade do que na verdade tinha, pois até ali, ela ainda não tinha conhecido a rua, a malícia, nem nada que não fosse seus pais e seu pequeno mundo. Eis que o cupido resolve aparecer nessa hora? Ela olhou para Jeff, em um pequeno objetivo de ver o lugar em que ela estava sua nova escola, (a mesma que Jeff iria se formar dali a dois meses) dali para frente ela se sentiu ofuscada pelo jeito de Jeff, muito parecido com o dela,  tímido, com poucos amigos, não falava muito, e muitas outras coisas que ela analisou que ambos se pareciam. Repentinamente, enquanto Eliane estava ali parada, hipnotizada por Jeff, ele passou o olho por toda a extensão de sua escola e também parou seu olhar nela, uma magia incrível, os olhos dos dois brilhavam, um parecia ter sido feito para o outro, impressionante, parecia que os dois já se conheciam a muito tempo, parecia que os dois cresceram juntos! Cada um seguiu para um lado, mais nenhum parou de pensar naquilo que tinha sentido quando viu o outro. Não precisou de uma palavra, de nada, apenas de um olhar e pronto, os dois já estavam simplesmente se sentindo confortados apenas pela presença do outro. E foi assim durante todo o tempo do resto do dia. Até o outro dia, nenhum parava de pensar no outro, novamente eles iriam se encontrar na escola, e assim foi por uma semana inteira, um olhava para o outro todas as vezes, mas nenhum dos dois vergonhados tinha coragem de um falar com outro, mas no fundo eles sabiam, que nem precisaria disso, parecia que eles conversavam apenas pelo olhar, era uma coisa inimaginável para o ser humano, apenas um olhando para o outro, os dois já sonhavam completamente como se fossem feitos um para o outro, o quebra-cabeça e seu encaixe.
Aí sim amigos, agora os sentimentos começam a entrar em transe nessa história, Eliane chegou a casa, depois de 5 dias trocando olhares com Jeff.  Olhou para a parede de seu quarto e viu um perfeito desenho de Minnie Mouse, como ela sempre fazia, ficou apreciando o desenho que ela mesma tinha feito, e a mesma explosão de emoções que tinha quando olhava para Jeff, ela teve naquele momento. Do outro lado da rua, Jeff apreciava o mesmo respectivo desenho que foi citado no começo dessa história, o desenho de Mickey Mouse. Agora tudo parece fazer sentido, sim, o desenho que ambos tinham feito, também tem sentimentos, a perfeição que os dois desenhos tinham, não era qualquer desenho, o sentimento puro e de alegria que os desenhos passavam pra Eliane e Jeff entrava em corrente quando os dois ficavam pertos um do outro. Não foi por acaso, nem coincidência, eu gosto de dizer que foi destino. Sim, nosso destino é traçado quando nascemos, e a história vai se escrevendo aos poucos, do jeito que tem que ser.  Quanto Walt Disney criou Mickey e Minnie, ele estava no meio de sua total depressão, logo após a morte de sua mãe, com certeza ele colocou todos os sentimentos que sua mãe o trazia, dentro dos seus desenhos animados, e o primeiro deles foi Mickey e Minnie, então por que não devemos acreditar que todo o tipo de animação tem sentimento também, afinal, o mesmo sentimento que o Disney colocou no Mickey ( amor, ternura, carinho, atenção, responsabilidade) seria talvez o mesmo sentimento que Jeff e Eliane teriam posteriormente colocado em seus desenhos das mesmas personagens?

Vamos voltar a história, Eliane chegou a escola na segunda feira, e logo de primeira procurou Jeff, mas ele não estava lá, ela tinha ouvido uma conversa de seus amigos que ele iria sair para pescar no rio que ficava próximo a escola,e por isso não iria comparecer a aula naquele dia. Eliane não acreditou, ela queria logo matar as saudades de Jeff, já que no fim de semana inteiro ela ficou apreciando Minnie e lembrando-se de Jeff, ela precisava muito ver ele,  mas como ela poderia ir aonde ele está se seu pai nem ao menos deixava ela sair depois da aula?
Ela estava fora de si, queria muito encontrar-se com Jeff onde ele estava. A aula acabou e Eliane continuava com o mesmo sentimento de saudades, uma mistura inigualável, era como uma necessidade dela encontrar-se com Jeff.  Ela chegou em casa aos prantos, chorando muito, nem seu pai nem sua mãe consegui controla-la, ela se trancou no quarto, olhou para a Minnie Mouse, e de contrário das outras vezes, a Minnie estava triste, não passava o sentimento de alegria mais, era como se a Minnie entendesse o que Eliane estava passando. Um transtorno fora do comum, era simplesmente impressionante. Eliane chorava, enquanto seu pai batia na porta desesperado, ele não queria ver sua filha, que ele tratava como uma verdadeira princesa, naquele estado... Mas nem seu próprio pai podia acalma-la, parece que apenas Jeff teria esse poder. Eis que na mente de Eliane, ela começa a se controlar emocionalmente e começa a raciocinar, ela pede para seu pai leva-la no lago ali próximo pois ela iria se encontrar com umas amigas ali. Seus pais aceitaram, eles fariam qualquer coisa pra ela ficar feliz. Então pela primeira vez, em 16 anos de vida, a linda garota de 1.59, loira, olhos castanhos, quase cor de mel, saiu de casa sozinha. O caminho era fácil, apenas atravessar a rua e ir até o fim, onde começava o lago.
Eliane chegou a lago, algumas pessoas pescavam por lá, seu sentimento de achar Jeff era mágico, ela não tinha mais nenhuma lágrima em sua pupila, parecia uma nova menina, feliz do jeito que ela sempre foi. Ela não encontrava Jeff, deu uma volta aos redores e não encontrou, já estava quase ficando novamente desesperada. Eis que então, em pleno alto do lago, em um pequeno barco de pesca, lá ele estava, triste, pensativo, com uma lágrima prestes a cair de seu olho azul, ele estava lá. Jeff. Eliane não mediu mais nada, ali para ele, existia apenas ele, ela não escutava mais nada e tudo ao seu redor era preto e branco. Apenas Jeff tinha cor.  Ela olhou e saiu correndo para ele, ela finalmente tinha coragem de falar tudo que ela sentia por ele. Pois afinal, ela tinha certeza que também passava um espírito de paz para ele, Eliane estava cega de amor literalmente não cega que ela não viu  a beira do lago e pronto. Acabou caindo dentro do lago, na esperança de ir atrás de Jeff que estava no meio do lago. Jeff estava pensativo com os olhos fechados, não ouviu nem viu Eliane por ali, apenas ouviu o barulho de alguém que tinha caído no lago. As pessoas que estavam ao redor ficaram desesperadas e começaram a gritar por ajuda e socorro. Jeff olhou para aquela multidão de pessoa e viu que ali se afogando a pouco menos de 7 metros dele, estava a menina que era o motivo de suas lágrimas, pois ele nunca conseguiu se declarar pra ela. Jeff não pensava em mais nada, correu o barco para perto dela, e em uma linda magia, que me lembra de muito um conto de fadas (Ou melhor, um desenho animado) ele jogou a rede de pesca, e praticamente “pescou” Eliane para dentro do barco, ela estava encharcada e desacordada. Todos falavam para os dois saírem do  barco porque ela precisava de cuidados e de um médico. Jeff segurou ela em seus braços, olhou fixamente para ela, e mesmo sabendo que ela não iria escutar, ele simplesmente sussurrou no ouvido delicado dela.. “ei psiu... eu te amo sabe...” Eliane ainda desacordada, foi abrindo seus lindos olhos cor de mel, bem devagar, um sorriso tão emocional iria se colocando no rosto dela, quando ela finalmente despertou e viu que estava no colo de seu príncipe. Os dois sorriram e todas as pessoas que estavam ao redor pareciam ter sido hipnotizadas, não acreditavam no que estavam vendo, uma magia totalmente surreal e mais que isso. Era alguma coisa pura, muito pura. Eliane se levantou e os dois saíram do barco, Jeff levou Eliane no colo até sua casa, e contou aos seus pais como tudo tinha acontecido. Os pais de Eliane agradeceram muito a Jeff e a levaram para o hospital, afinal eles sempre cuidavam muito de sua filha. A noite já estava caindo e Jeff sentou no portão de Eliane, aguardando o retorno de sua amada, eles precisavam realmente conversar. Eliane foi feliz para o hospital, ela tinha escutado o que Jeff tinha falado em seu ouvido, ela finalmente tinha encontrado a pessoa certa pra ela. Não, Jeff não era o príncipe encantado perfeito, nem o mais bonito de todos, nem o garoto mais popular, mais ele tinha apenas uma coisa que para ela bastava. Um coração pequeno, cheio de amor por ela, e louco para dar carinho apenas para ela. É lógico, no interior do Brasil, na década de 60, no auge da ditadura militar, em que sua cultura por lá era achar  uma pessoa do sexo oposto para se casar bem cedo. Eles já estavam um pouco atrasado, mais não precisaria de namoro, não precisa de nada, um era perfeito para o outro...
Eliane chegou em casa, Jeff ainda esperava por ela, mais ele já tinha caído no sono, ela olhou pra ele, acordou ele,  Jeff logo perguntou, você está bem? Ela falou que estava ótima, e o pediu para ele ir pra casa, já era tarde. Jeff olhou no olho dela, a abraçou bem forte e falou. “Ok, Que todos os anjos te iluminem nessa noite, boa noite princesinha.” Ela sorriu e falou, pode deixa, o mesmo pra você, boa noite... Príncipe.
Os dois passaram a conversar todo dia, com muita timidez claro, mais isso não importava para eles, um estava feliz apenas de falar com o outro e não precisava de mais nada. O tempo foi passando, Jeff se formou, e começou a trabalhar com seu pai. Eliane cresceu, também se formou e os dois se casaram. No dia que os dois iriam se mudar para a mesma casa. Jeff pegou seu desenho do Mickey, e Eliane o de Minnie, e instantaneamente, um falou para o outro.
“Amor, todas as vezes que eu pensava em você quando era adolescente, eu olhava para esse desenho que me passava paz, hoje eu não preciso mais dele, por que a paz que ele me transmitiu um dia, você me transmite hoje.” Consequentemente um olhou para o desenho do outro e viu que o desenho de um, se encaixava perfeitamente, sem nenhuma sombra de detalhe no desenho do outro. Os dois entraram em pranto, é como se tudo que eles viveram até aquele dia, você uma simples história, de desenho em quadrinhos ou de conto de fadas, é como se aquela magia fosse real. Como se todos contos tivessem seus pró-pios sentimentos,  deixando uma pessoa mais sensível através do toque da outra. Os dois juntaram seus desenhos e colocaram em cima da cama que iriam dormir, Ele olhou pra ela e falou. “Ei psiu... Boa Noite Princesinha.. Te Amo tá?”  Ela olhou pra ele e falou “Te amo muito, boa noite príncipe...” E assim, como Mickey e Minnie, Eliane e Jeff, viveram felizes para sempre...

Jeff morreu em 1997, com um câncer incurável, no colo de Eliane. Eliane morreu dois anos depois, em 1999, em depressão da perda de Jeff. O corpo dos dois está em uma pequena cidade  no interior de São Paulo, em uma pequena cidade perto de Prudente. O desenho do Mickey e da Minnie foi perdido pelos dois em uma enchente que teve na casa dos dois, um ano antes da morte de Jeff e três anos antes da morte de Eliane. A partir de hoje, tire suas própias conclusões, mas o mesmo sentimento que Walt Disney tinha por sua mãe e que ele colocou nas personagens, seria o mesmo sentimento de Eliane e Jeff? Realmente, em uma pesquisa feita recentemente, as crianças que assistem desenhos animados, sem violência e com mais amor, tem a tendência de se tornaram mais sensíveis e mais sentimentais no futuro...!